Uma ofensiva contra o compartilhamento ilegal de gravações com cenas de violência explícita e tortura resultou no afastamento de 12 policiais militares de suas funções operacionais no Paraná. A ação da Corregedoria-Geral da corporação também cumpriu 28 mandados de busca e apreensão e terminou com a prisão em flagrante de três pessoas nesta sexta-feira.
Esquema cobrava por gravações de abusos e agressões
A investigação aponta para a existência de um esquema de monetização de arquivos sigilosos da segurança pública. As imagens expunham abordagens com atos de tortura, agressões a pessoas em situação de rua, suspeitos feridos e situações ocorridas no interior de viaturas e batalhões. Trechos eram publicados em um perfil aberto do Instagram batizado de militardoparana, que somava cerca de 23 mil seguidores antes de ser desativado.
Para ter acesso aos vídeos sem cortes, os usuários precisavam pagar uma assinatura que liberava conteúdos exclusivos em um canal restrito no Telegram. O administrador da página, um jovem de 22 anos que não integra as forças de segurança, foi um dos alvos da ofensiva judicial, que também mira outros 24 integrantes da corporação suspeitos de fornecer o material ou interagir nos grupos de distribuição.
Alcance da operação e materiais apreendidos
Batizada de operação Zeitgeist, a apuração começou em junho a partir de denúncias recebidas pela Corregedoria. As ordens de busca contaram com o suporte do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e foram executadas simultaneamente em 12 cidades: Curitiba, São José dos Pinhais, Pinhais, Almirante Tamandaré, Cerro Azul, Guarapuava, Pato Branco, Mandaguaçu, Nova Esperança, Paranavaí, Francisco Beltrão e Umuarama.
Durante as diligências, as equipes recolheram um vasto material eletrônico para perícia, incluindo 26 smartphones, três notebooks, um tablet, três pendrives, dois discos rígidos externos e um cartão de memória, além de armas e cartuchos balísticos.
Prisões em flagrante e afastamento de liderança
Entre os afastados dos trabalhos de rua está um oficial da Polícia Militar que ocupava cargo de comando. As três detenções efetuadas durante o cumprimento dos mandados ocorreram por posse irregular de munições (dois casos) e porte ilegal de arma de fogo (um caso).
Segundo a corporação, o objetivo central das medidas cautelares é rastrear a origem exata dos arquivos e individualizar o grau de participação de cada agente envolvido. O inquérito policial militar permanece em andamento, e as sanções administrativas e penais serão determinadas conforme os laudos periciais confirmem a conduta de cada investigado.






