Prefeito de Anajatuba é afastado pela Justiça por fraudes

Justiça determina o afastamento de Sydnei Pereira da Prefeitura de Anajatuba

A Justiça do Maranhão determinou o afastamento imediato do prefeito de Anajatuba, Sydnei Pereira (PCdoB), em razão de suspeitas de desvio de verbas públicas apuradas em investigações federais. O magistrado Bruno Chaves de Oliveira destacou que a medida era urgente diante do perigo concreto de eliminação de provas e documentos licitatórios no encerramento de sua gestão no município, localizado a 137 quilômetros de São Luís.

Auditoria da CGU aponta desvios e adulterações em série

A decisão judicial tomou como base um relatório contundente da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou uma sucessão de irregularidades e pagamentos por bens não entregues. O órgão constatou a adoção de orçamentos fictícios, notas fiscais emitidas sem discriminação, falta de atestados de capacidade operacional e pagamentos indevidos para obras de saúde que jamais foram executadas.

No setor de transportes e logística, as fraudes ganharam contornos ainda mais explícitos. A prefeitura alegava utilizar 24 veículos no deslocamento de pacientes até São Luís, quando apenas uma van realizava as viagens. Além disso, foram registrados abastecimentos de motocicletas em volumes superiores ao limite físico dos tanques, notas sem placas identificadas, fornecimento de combustível acima dos valores de mercado e uso de postos não contratados pela administração pública.

Contratos milionários com autopeças e confecção

Entre os negócios mais vultosos sob suspeita estão os repasses destinados à Brunopel. A empresa de autopeças faturou R$ 455 mil em 2016 e impressionantes R$ 8,4 milhões em 2017 para fornecimento de peças e locação de automóveis. Embora o gestor alegue que a cidade não teria condições orçamentárias de pagar tal quantia, o procurador do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Jairo Cavalcanti, confirmou que as transferências bancárias foram efetivadas.

Conexões políticas e uso de veículo de luxo

O quadro societário da Brunopel contava com a ex-esposa de Cosme Pereira de Souza, doador de campanha de Sydnei com repasse registrado na Justiça Eleitoral. Cosme é tio da então secretária municipal de Administração, Pollyana Lisboa, e era o proprietário original de um carro de luxo de R$ 120 mil utilizado no dia a dia pelo prefeito. Pereira afirmou que o automóvel era alugado por meio de contrato regular e defendeu a escolha técnica da secretária.

Materiais esportivos sem destinação

Outro alvo das apurações envolve a Malharia Maria dos Milagres, sediada em São Luís, que recebeu R$ 410 mil entre 2016 e 2017 para o fornecimento de brinquedos e artigos esportivos. Enquanto a prestação de contas listava a aquisição de dezenas de redes e bolas, o principal campo esportivo de Anajatuba permanecia tomado por matagais e sem traves, e a população dos povoados rurais relatava nunca ter recebido o material. Em sua defesa, a empresa declarou ter participado legalmente do certame.

Sucateamento de serviços públicos e trajetória política

O impacto das irregularidades recaiu diretamente sobre a população local. Durante a administração de Sydnei Pereira, 21 escolas municipais foram fechadas, reduzindo a rede de 55 para 34 unidades escolares sob a justificativa de falta de verbas. O transporte escolar de diversas comunidades rurais foi suspenso devido à precariedade das estradas, e órgãos essenciais como o Conselho Tutelar operavam sem veículos próprios para atender ocorrências de urgência.

Sydnei assumiu o comando da cidade em 2015, quando era vice-prefeito e denunciou o então titular Helder Aragão por corrupção. Reeleito em 2016, Pereira passou a ser alvo de sucessivos pedidos de afastamento pelo Ministério Público e de oito representações formais protocoladas pelo vereador Lauro Sousa, correligionário de seu próprio partido. O cenário político local fecha um ciclo com a eleição de 2020, na qual Helder Aragão saiu vitorioso para retornar ao cargo a partir de janeiro de 2021.

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