Pescadoras brasileiras são homenageadas como heroínas pela FAO

Pescadoras brasileiras recebem título de heróinas em premiação da FAO

Na última semana, duas pescadoras brasileiras foram reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em uma cerimônia realizada em Roma, Itália. Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, e Joana Rodrigues Mousinho foram escolhidas como Heroínas da FAO pelos seus esforços em promover a segurança alimentar e o desenvolvimento rural.

O reconhecimento das heroínas da pesca

Luena Pataxó, de 44 anos, cresceu em meio à pesca, ajudando seus pais desde a infância na limpeza de peixes e mariscos. Após a morte do marido, ela se dedicou à captura de camarões e, atualmente, preside o Comitê de Relacionamento de Pescadores do extremo sul da Bahia. Além disso, Luena fundou o Grupo de Trabalho Indígena Nacional, alinhando-se ao Plano Nacional da Pesca Artesanal. Em sua fala emocionada durante a premiação, ela destacou a importância da pesca artesanal para a segurança alimentar no Brasil: “Não é possível falar de alimentos, de produção, sem falar das águas”.

Pioneirismo e legado

Joana Rodrigues Mousinho, de 70 anos e natural de Pernambuco, também foi homenageada. Ela se destaca como a primeira mulher a liderar uma colônia de pescadores no Brasil e foi uma das pioneiras a conseguir o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP). Com mais de seis décadas de experiência na pesca artesanal, Joana é uma das fundadoras da Articulação Nacional das Pescadoras, um movimento que luta pelos direitos e pela visibilidade das mulheres no setor pesqueiro. Em 2024, ela foi premiada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura na categoria Pesca Artesanal em Águas Marinhas.

A importância do trabalho feminino na pesca

A premiação da FAO destacou 100 mulheres de diferentes partes do mundo, cujas histórias inspiradoras contribuem para a sustentabilidade ambiental e a inclusão social. Luena e Joana representam não apenas suas comunidades, mas também a força das mulheres na pesca artesanal, enfatizando que o trabalho delas é fundamental para a alimentação e o sustento de muitas famílias.

Esse reconhecimento internacional serve como um chamado à ação para valorizar e apoiar as mulheres que atuam na pesca, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e seus direitos respeitados. A trajetória dessas pescadoras reflete a luta e a resiliência das comunidades rurais que dependem do mar para a sobrevivência.

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